sábado, 26 de janeiro de 2013

3728 words of Summer.


‘‘Essa é uma história de um garoto que encontra uma garota.

O garoto, Tom Hansen de Margate, Nova Jersey, cresceu acreditando que nunca seria realmente feliz até o dia em que encontrasse aquela. Essa crença se sustentou pela sua forte exposição á melancólica música pop britânica e uma equivocada interpretação do filme ‘A primeira noite de um homem’.
A garota, Summer Finn de Shinnecock, Michigan, não compartilhava dessa crença. Desde que o casamento de seus pais se desintegrou ela conseguiu amar apenas duas coisas. A primeira é o seu longo cabelo escuro. A segunda é o quão fácil ela pode corta-lo sem sentir nada.
Tom conhece Summer no dia 8 de Janeiro e sabe quase imediatamente que ela é quem ele sempre procurou.

Essa é uma história de um garoto que encontra uma garota.


Mas você precisa saber de agora em diante.


Essa não é uma história de amor!’’

Até hoje não consegui explicar objetivamente o quanto esse filme mexeu comigo, aqui vai mais uma tentativa.
Já me peguei pensando se o motivo é o elenco, a ÓTIMA trilha sonora, a boa fotografia, as referências irônicas aos filmes de comédias românticas usuais, ou a presença do narrador dando um toque (ainda mais) literal para a história...
Podia enumerar mil e treze motivos diferentes, algumas pessoas vão concordar comigo e outras não, a questão é que 500 days of Summer (me recuso a usar o título Brasileiro) causa reações diversas nas pessoas exatamente por ser um tanto fora da curva. Para os consumidores de filmes pipoca ele é alternativo demais, para os consumidores de filmes alternativos ele é ‘‘superestimado’’. As pessoas tem uma relação de amor e ódio com esse filme, uns amam odia-lo, outros odeiam ama-lo, mas o que importa aqui é o que eu sinto todas as vezes que eu o assisto e qual o motivo enfim, deu me sentir assim.

Depois de muito pensar eu descobri, ou percebi, sei lá.

É a mensagem por trás da história que me deixa assim.

Não vou sair por ai dizendo que esse é o melhor filme da minha vida, nem perderei meu tempo discutindo com quem não curtiu, o que me interessa hoje aqui é mostrar, a quem estiver interessado, minhas impressões principais.

A opção do diretor de transformar o filme numa história sem cronologia definida foi fundamental pra garantir o ritmo adquirida a mesma. Os dias vão e vem de acordo com o que interessa mostrar para se entender quem são as personagens e principalmente, o que Summer conseguiu fazer na vida de Tom.

No primeiro dialogo mostrado no filme, Tom sofre (de maneira até engraçada) com o termino do seu ‘relacionamento’ com Summer, depois de ser chamado de Nancy pela mulher que ama ele ainda escuta a pior frase que um homem apaixonado pode escutar na vida:
- Você ainda é meu MELHOR amigo.

Tentando melhorar o astral da conversa, seus amigos e sua irmãzinha o consolam de todas as maneiras: frases feitas, elogios e...
VODCA.

Nada funciona, por que Tom não quer esquecer, Tom não quer desistir, Tom não quer ir atrás de nenhuma outra pessoa.

Numa cidade com mais de oito milhões de habitantes, com mais de 40 mil prédios, várias opções de emprego, encontrar aquela garota ali, exatamente no seu local de trabalho só pode significar uma coisa: destino.

O chamado Efeito Summer (que ataca quase todos os homens pelo menos uma vez na vida) atinge Tom de cheio e com os primeiros contatos surgem os primeiros gostos compartilhados, o que na cabeça de um romântico pode significar tudo e pra você não pode significar nada. É difícil compreender o quanto isso pode servir de combustível para um cara que sempre buscou encontrar a sua pessoa especial, mas tente entender agora, tudo que ele sempre quis estava ali, trabalhando ao seu lado na empresa de cartões de felicitações, aquela pessoa que faria dele um homem finalmente feliz por completo.

Pelo menos era nisso que ele queria acreditar.

Em algumas cenas do filme é mostrado de que maneira Tom trabalhava enquanto o seu relacionamento deu certo, em outras nós podemos ver que o único combustível para se mantiver por tanto tempo naquele emprego era Summer, depois do termino e da demissão dela Tom percebe que odeia trabalhar ali. Formado em Arquitetura Tom desperdiça seu talento produzindo esses cartões, nenhuma explicação sobre essa escolha profissional é dada no filme, apenas indícios de que ele não se acha um bom arquiteto e uma das coisas que o Efeito Summer deixou de bom na sua vida foi a mudança desse pensamento, o que eu vou falar logo em seguida.

Por hora, pra resumir, vocês só precisam entender uma coisa. 
Paixão é motivação.
 

Pra mim não foi difícil identificar em qual momento exato da história Tom decidiu ir se jogar de cabeça naquilo que estava sentindo. Numa conversa em uma noite de festa do escritório, eles se pegam conversando sobre amor e nessa conversa temos a primeira impressão de quem realmente é Summer Finn fora da visão de Tom, ela se diz avulsa ao amor, acredita que relacionamentos só trazem aspectos negativos na vida e que uma hora ou outra as pessoas acabam magoando umas as outras e ainda diz que ser jovem é aproveitar a vida, que as coisas sérias fiquem pra mais tarde. Essa filosofia carpediana atrai a maioria das pessoas hoje em dia já que o mundo atual tem um apelo desesperado e frenético para que tudo aconteça a todo o momento como se o último dia da sua vida fosse amanhã. Totalmente contrario a esse tipo de pensamento Tom se sente dentro de um desafio: mudar a cabeça e conquistar o coração de Summer.




- E o que vai acontecer se você se apaixonar?
- Você acredita nisso de verdade?
- É amor, não é Papai Noel.
(...)
- Então me diga o que eu estou perdendo...

- Acho que você saberá quando sentir.


 
Devidamente motivado e com ajuda do seu amigo bêbado, aos poucos Tom vai causando o interesse de sua colega de trabalho, até o momento do primeiro beijo que acontece na sala de Xerox da empresa. A cena acontece quase muda, sem diálogos, ela entra na sala chega perto dele e tasca aquele beijão! E depois sai sem dizer nada.

 Essa imprevisibilidade talvez seja a maior característica de Summer durante o filme. Hora ela esta divertida e carinhosa, hora ela parece uma megera sem coração (o que pode ficar meio despercebido por causa do carisma de Zoey Deschanel) o que causa uma confusão na gente e na cabeça do nosso pobre Tom. Mas o Habeas corpus de Summer vem logo em seguida, lá pra metade de filme, quando em uma conversa com Tom ela deixa bem claro que não quer nada sério.
O maior erro de Tom foi ter aceitado esse termo sem concordar com ele. 

Pensando poder conquistar o amor de Summer ele acaba esquecendo-se dos seus princípios, cometendo assim seu maior erro.
Então meu caro leitor me diga depois que você vê uma placa de aviso no chão do Shopping dizendo: piso escorregadio. O que você faz? Passa pelo canto mais estável? Ou ignora a placa e sai correndo por aquele caminho?


Bom, a resposta depende do seu ponto de vista, não adianta enxergar esse tipo de situação pela sua própria óptica, nenhuma explicação vai ser boa o suficiente. A questão é simples, quando se ama alguém você se dispõe a fazer coisas que ninguém aconselharia exatamente por só você sentir aquilo.
Ninguém pode entender um sentimento melhor do que aquele que o sente.

Saindo um pouco do aspecto sério, o filme nos mostra uma de suas cenas mais engraçadas. A sequência musicada de ‘You Make My Dreams Come True’ debocha das bobagens do amor de maneira sutil e divertida, sem se preocupar com coreografia ou com explicações lógicas a cena espelha fielmente o sentimento de um cara que se sente correspondido. Afinal de contas todo cara no mundo depois de uma noite incrível com a garota certa faz a sua própria performance musical com direito a passarinhos azuis animados e tudo!

Só não sei se ao me olhar no espelho depois disso eu me sentiria um Han Solo. Talvez um Django Livre se encaixe mais comigo! Será?

Mas nada disso serve para alguma coisa.

Summer em si apesar de se envolver afetivamente com ele nunca deu pistas de que alguma vez se sentiria como Tom se sente. Por mais insistente que ele fosse o caminho sempre parecia maior a percorrer. Durante a fase boa do relacionamento Tom se sente confiante, o bastante para acreditar que o seu plano maior daria certo, porém tudo vai se destruindo com o passar dos days of Summer. Contrastes como as cenas do cinema em que os dois se divertem vendo um filme e em um dia posterior Tom é mostrado sozinho em um filme melancólico francês ou como a cena em que eles se divertem na loja de mobílias fingindo morar naquele lugar, o que seria bonitinho se na cena anterior em algum dia mais a frente Summer de mau humor finge nem se importar com as brincadeiras de Tom. Essa mudança de comportamento de Summer de acordo com a maneira que ela acorda no dia seguinte, essa incerteza é o elemento chave para que a história entre os dois termine.

O filme então se prende aos dias em que Tom já não tinha mais nada com ela. Apegado fortemente apenas as lembranças boas ele não consegue seguir em frente. Na verdade eu prefiro acreditar que ele não quis seguir em frente.
O maior exemplo disso é quando convencido pelos amigos a ter um encontro com outra garota, Tom não consegue falar em outra coisa que não seja Summer e acaba afugentando o seu par no encontro, terminando a noite sozinho com as suas lembranças.

Nessa fase do filme a contagem dos dias ainda se mostra nublada, como se fosse outono mas logo o inverno chegaria para Tom Hansen.
 
Num encontro inoportuno depois de vários dias sem se quer ouvir a voz de Summer, eles se esbarram no caminho de um casamento e todas as esperanças de Tom são reconstruídas baseadas em detalhes simples como uma dança, uma conversa, um elogio, o buquê que Summer pegou, o sono dela no seu ombro e o convite para uma festa que ela daria na segunda.

Então aqui vai cena mais intrigante desse filme. Bêbado com a promessa da noite, Tom se dirige ao apartamento de Summer torcendo para que dessa vez as suas expectativas se relacionassem com a realidade. A tela é dividia e enquanto nas suas expectativas os dois ficam juntos e passam uma bela tarde na frente de todos os amigos de Summer a realidade mostra que Summer não tinha a mínima intenção de reatar com ele e no final ele descobre que agora a sua antiga colega de trabalho que costumava zombar de coisas como amor e casamento era noiva de outro cara.

A realidade esmaga as expectativas.


O mundo de Tom acaba os dias nunca foram tão cinzas. Ele passa mais de um mês remoendo toda a história, sem tentar se recuperar. Até que um dia ele cansa. Afinal, todo mundo cansa. Pode demorar quanto tempo for ninguém passa a vida sofrendo por um amor que não deu certo.

A parte mais empolgante do filme começa. Tom se demite do melancólico trabalho de escritor de cartões, com um discurso interessante sobre o que aqueles cartões representam: uma mentira, uma maneira pela qual as pessoas não digam de verdade como se sentem, em seguida começa a procurar um emprego como arquiteto que é a sua verdadeira vocação, recomeçando de verdade, ele também para de se prender as coisas boas do seu relacionamento com Summer e percebe que desde o começo tinha algo errado com aquela história e que enfim ela não era ‘aquela’ garota.


Sentado no seu lugar preferido, Tom tem a sua última surpresa vinda de Summer. Num banquinho atrás do dele, lá estava ela. A conversa entre os dois é bastante emocional, mas extremamente necessária. Não era mais a Summer idealizada que ele tanto amou mas sim uma nova Summer. Nessa cena temos uma troca de personalidades muito bem definida, a Summer de agora acredita nas coisas que o Tom do começo do filme acreditava enquanto o Tom de agora acredita nas coisas que a Summer acreditava, mas isso é só momentâneo. Summer então diz que ele tinha razão sobre tudo, ela finalmente sabe o que estava perdendo. Tom só estava errado sobre ela. E assim, o último vestígio daquela história começa a desaparecer, Tom começa a superar de verdade.
A maioria dos dias passa sem deixar nenhuma importância na vida de uma pessoa, o dia era 23 de maio, uma quarta feira, Tom se encaminhava para uma entrevista de emprego. 
Na sala de espera uma linda mulher estava sentada, bem vestida, também pretendendo o emprego, arquiteta que visita o mesmo lugar que ele gosta de frequentar. Ela diz já ter visto ele e impressionado por nunca ter visto aquela garota antes ele diz quase que decepcionado:
- Eu nunca vi você por lá.
- Talvez você não estivesse olhando direito.

Então Tom percebe, percebe que não se pode atribuir efeitos cósmicos e extraordinários a eventos comuns e cotidianos, percebe que todo esse tempo de tristezas e decepções serviu de certa forma para uma aprendizado, para uma reciclagem da sua pessoa, percebe que não existem finais e sim recomeços, percebe que essa coisa de destino não existe, percebe que por mais que antes de encontrar ‘aquela’ que o faria feliz de verdade ele precisaria se encontrar, se amar, se respeitar.

‘’Coincidências. É o que sempre é. Nada mais do que coincidências’’.

Tom agora sabia.

Um surto de coragem e ele chama a garota para sair.
Ela também se mostra corajosa e pronta para arriscar, depois de pensar muito, ela aceita o convite.

Os dois se apresentam.

E ela se chama Autumn.

Tom olha pra câmera e esboça um sorriso, sem acreditar que aquilo era sério mesmo.


 O dia 500 vira dia 1. E o sol do verão aparece pela primeira vez na contagem, maior do que nunca!

A maior mensagem do filme então é essa, depois da chuva, do inverno, da noite escura, do frio, do medo, da insegurança, das incertezas, da falta de fé, das lágrimas, o sol vem dobrado! Não importa o quanto esteja doendo agora, seu sofrimento nunca será permanente e suas chances de fazer com que dê certo da próxima vez são as mesmas com algo a mais ao seu favor, sua experiência. Agora você está imune á fazer coisas as mesmas coisas estúpidas.


Discordo do narrador do filme em uma coisa, essa é sim uma história de amor, uma história de amor próprio!

Por hoje é só pessoal.



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