‘‘Essa é uma história de um garoto que encontra uma garota.
O garoto, Tom Hansen de Margate, Nova Jersey, cresceu acreditando que nunca
seria realmente feliz até o dia em que encontrasse aquela. Essa crença se
sustentou pela sua forte exposição á melancólica música pop britânica e uma
equivocada interpretação do filme ‘A primeira noite de um homem’.
A garota, Summer Finn de Shinnecock, Michigan, não compartilhava dessa crença. Desde que o casamento de seus pais se desintegrou ela conseguiu amar apenas duas coisas. A primeira é o seu longo cabelo escuro. A segunda é o quão fácil ela pode corta-lo sem sentir nada.
Tom conhece Summer no dia 8 de Janeiro e sabe quase imediatamente que ela é quem ele sempre procurou.
A garota, Summer Finn de Shinnecock, Michigan, não compartilhava dessa crença. Desde que o casamento de seus pais se desintegrou ela conseguiu amar apenas duas coisas. A primeira é o seu longo cabelo escuro. A segunda é o quão fácil ela pode corta-lo sem sentir nada.
Tom conhece Summer no dia 8 de Janeiro e sabe quase imediatamente que ela é quem ele sempre procurou.
Essa é uma
história de um garoto que encontra uma garota.
Mas você precisa
saber de agora em diante.
Essa não é
uma história de amor!’’
Até hoje não
consegui explicar objetivamente o quanto esse filme mexeu comigo, aqui vai mais
uma tentativa.
Já me peguei pensando se o motivo é o elenco, a ÓTIMA trilha sonora, a boa fotografia, as referências irônicas aos filmes de comédias românticas usuais, ou a presença do narrador dando um toque (ainda mais) literal para a história...
Já me peguei pensando se o motivo é o elenco, a ÓTIMA trilha sonora, a boa fotografia, as referências irônicas aos filmes de comédias românticas usuais, ou a presença do narrador dando um toque (ainda mais) literal para a história...
Podia
enumerar mil e treze motivos diferentes, algumas pessoas vão concordar comigo e
outras não, a questão é que 500 days of Summer (me recuso a usar o título
Brasileiro) causa reações diversas nas pessoas exatamente por ser um tanto fora
da curva. Para os consumidores de filmes pipoca ele é alternativo demais, para
os consumidores de filmes alternativos ele é ‘‘superestimado’’. As pessoas tem
uma relação de amor e ódio com esse filme, uns amam odia-lo, outros odeiam
ama-lo, mas o que importa aqui é o que eu sinto todas as vezes que eu o assisto
e qual o motivo enfim, deu me sentir assim.
Depois de
muito pensar eu descobri, ou percebi, sei lá.
É a
mensagem por trás da história que me deixa assim.
Não vou
sair por ai dizendo que esse é o melhor filme da minha vida, nem perderei meu
tempo discutindo com quem não curtiu, o que me interessa hoje aqui é mostrar, a
quem estiver interessado, minhas impressões principais.
A opção do
diretor de transformar o filme numa história sem cronologia definida foi
fundamental pra garantir o ritmo adquirida a mesma. Os dias vão e vem de acordo
com o que interessa mostrar para se entender quem são as personagens e
principalmente, o que Summer conseguiu fazer na vida de Tom.
No primeiro
dialogo mostrado no filme, Tom sofre (de maneira até engraçada) com o termino
do seu ‘relacionamento’ com Summer, depois de ser chamado de Nancy pela mulher
que ama ele ainda escuta a pior frase que um homem apaixonado pode escutar na
vida:
- Você ainda é meu MELHOR amigo.
Tentando
melhorar o astral da conversa, seus amigos e sua irmãzinha o consolam de todas
as maneiras: frases feitas, elogios e...
VODCA.
Nada
funciona, por que Tom não quer esquecer, Tom não quer desistir, Tom não quer ir
atrás de nenhuma outra pessoa.
Numa cidade
com mais de oito milhões de habitantes, com mais de 40 mil prédios, várias
opções de emprego, encontrar aquela garota ali, exatamente no seu local de
trabalho só pode significar uma coisa: destino.
O chamado
Efeito Summer (que ataca quase todos os homens pelo menos uma vez na vida)
atinge Tom de cheio e com os primeiros contatos surgem os primeiros gostos
compartilhados, o que na cabeça de um romântico pode significar tudo e pra você
não pode significar nada. É difícil compreender o quanto isso pode servir de
combustível para um cara que sempre buscou encontrar a sua pessoa especial, mas
tente entender agora, tudo que ele sempre quis estava ali, trabalhando ao seu
lado na empresa de cartões de felicitações, aquela pessoa que faria dele um
homem finalmente feliz por completo.
Pelo menos
era nisso que ele queria acreditar.
Em algumas
cenas do filme é mostrado de que maneira Tom trabalhava enquanto o seu
relacionamento deu certo, em outras nós podemos ver que o único combustível
para se mantiver por tanto tempo naquele emprego era Summer, depois do termino
e da demissão dela Tom percebe que odeia trabalhar ali. Formado em Arquitetura
Tom desperdiça seu talento produzindo esses cartões, nenhuma explicação sobre
essa escolha profissional é dada no filme, apenas indícios de que ele não se
acha um bom arquiteto e uma das coisas que o Efeito Summer deixou de bom na sua
vida foi a mudança desse pensamento, o que eu vou falar logo em seguida.
Por hora,
pra resumir, vocês só precisam entender uma coisa.
Paixão é motivação.
Pra mim não
foi difícil identificar em qual momento exato da história Tom decidiu ir se
jogar de cabeça naquilo que estava sentindo. Numa conversa em uma noite de festa do
escritório, eles se pegam conversando sobre amor e nessa conversa temos a
primeira impressão de quem realmente é Summer Finn fora da visão de Tom, ela se
diz avulsa ao amor, acredita que relacionamentos só trazem aspectos negativos
na vida e que uma hora ou outra as pessoas acabam magoando umas as outras e
ainda diz que ser jovem é aproveitar a vida, que as coisas sérias fiquem pra
mais tarde. Essa filosofia carpediana atrai a maioria das pessoas hoje em dia
já que o mundo atual tem um apelo desesperado e frenético para que tudo
aconteça a todo o momento como se o último dia da sua vida fosse amanhã.
Totalmente contrario a esse tipo de pensamento Tom se sente dentro de um
desafio: mudar a cabeça e conquistar o coração de Summer.
- E o que
vai acontecer se você se apaixonar?
- Você
acredita nisso de verdade?
- É amor,
não é Papai Noel.
(...)
- Então me
diga o que eu estou perdendo...
- Acho que
você saberá quando sentir.
Devidamente
motivado e com ajuda do seu amigo bêbado, aos poucos Tom vai causando o
interesse de sua colega de trabalho, até o momento do primeiro beijo que
acontece na sala de Xerox da empresa. A cena acontece quase muda, sem diálogos,
ela entra na sala chega perto dele e tasca aquele beijão! E depois sai sem
dizer nada.
Essa imprevisibilidade talvez seja a maior
característica de Summer durante o filme. Hora ela esta divertida e carinhosa,
hora ela parece uma megera sem coração (o que pode ficar meio despercebido por
causa do carisma de Zoey Deschanel) o que causa uma confusão na gente e na
cabeça do nosso pobre Tom. Mas o Habeas corpus de Summer vem logo em seguida,
lá pra metade de filme, quando em uma conversa com Tom ela deixa bem claro que
não quer nada sério.
O maior
erro de Tom foi ter aceitado esse termo sem concordar com ele.
Pensando poder
conquistar o amor de Summer ele acaba esquecendo-se dos seus princípios,
cometendo assim seu maior erro.
Então meu
caro leitor me diga depois que você vê uma placa de aviso no chão do Shopping
dizendo: piso escorregadio. O que você faz? Passa pelo canto mais estável? Ou ignora
a placa e sai correndo por aquele caminho?
Bom, a resposta depende do seu ponto de vista, não adianta enxergar esse tipo de situação pela sua própria óptica, nenhuma explicação vai ser boa o suficiente. A questão é simples, quando se ama alguém você se dispõe a fazer coisas que ninguém aconselharia exatamente por só você sentir aquilo.
Ninguém pode entender um
sentimento melhor do que aquele que o sente.
Saindo um pouco do
aspecto sério, o filme nos mostra uma de suas cenas mais engraçadas. A sequência
musicada de ‘You Make My Dreams Come True’ debocha das bobagens do amor de
maneira sutil e divertida, sem se preocupar com coreografia ou com explicações
lógicas a cena espelha fielmente o sentimento de um cara que se sente
correspondido. Afinal de contas todo cara no mundo depois de uma noite incrível
com a garota certa faz a sua própria performance musical com direito a
passarinhos azuis animados e tudo!
Só não sei se ao me olhar
no espelho depois disso eu me sentiria um Han Solo. Talvez um Django Livre se
encaixe mais comigo! Será?
Mas nada disso serve para alguma coisa.
Summer em si apesar de se
envolver afetivamente com ele nunca deu pistas de que alguma vez se sentiria
como Tom se sente. Por mais insistente que ele fosse o caminho sempre parecia
maior a percorrer. Durante a fase boa do relacionamento Tom se sente confiante,
o bastante para acreditar que o seu plano maior daria certo, porém tudo vai se
destruindo com o passar dos days of Summer. Contrastes como as cenas do cinema
em que os dois se divertem vendo um filme e em um dia posterior Tom é mostrado
sozinho em um filme melancólico francês ou como a cena em que eles se divertem
na loja de mobílias fingindo morar naquele lugar, o que seria bonitinho se na
cena anterior em algum dia mais a frente Summer de mau humor finge nem se
importar com as brincadeiras de Tom. Essa mudança de comportamento de Summer de
acordo com a maneira que ela acorda no dia seguinte, essa incerteza é o
elemento chave para que a história entre os dois termine.
O filme então se prende
aos dias em que Tom já não tinha mais nada com ela. Apegado fortemente apenas
as lembranças boas ele não consegue seguir em frente. Na verdade eu prefiro
acreditar que ele não quis seguir em frente.
O maior exemplo disso é quando convencido pelos amigos a ter um encontro com outra garota, Tom não consegue falar em outra coisa que não seja Summer e acaba afugentando o seu par no encontro, terminando a noite sozinho com as suas lembranças.
O maior exemplo disso é quando convencido pelos amigos a ter um encontro com outra garota, Tom não consegue falar em outra coisa que não seja Summer e acaba afugentando o seu par no encontro, terminando a noite sozinho com as suas lembranças.
Nessa fase do filme a
contagem dos dias ainda se mostra nublada, como se fosse outono mas logo o inverno chegaria para Tom Hansen.
Num encontro inoportuno depois de vários dias sem se quer ouvir a voz de
Summer, eles se esbarram no caminho de um casamento e todas as esperanças de
Tom são reconstruídas baseadas em detalhes simples como uma dança, uma
conversa, um elogio, o buquê que Summer pegou, o sono dela no seu ombro e o
convite para uma festa que ela daria na segunda.
Então aqui vai cena mais
intrigante desse filme. Bêbado com a promessa da noite, Tom se dirige ao
apartamento de Summer torcendo para que dessa vez as suas expectativas se
relacionassem com a realidade. A tela é dividia e enquanto nas suas
expectativas os dois ficam juntos e passam uma bela tarde na frente de todos os
amigos de Summer a realidade mostra que Summer não tinha a mínima intenção de
reatar com ele e no final ele descobre que agora a sua antiga colega de
trabalho que costumava zombar de coisas como amor e casamento era noiva de
outro cara.
A realidade esmaga as
expectativas.
O mundo de Tom acaba os
dias nunca foram tão cinzas. Ele passa mais de um mês remoendo toda a história,
sem tentar se recuperar. Até que um dia ele cansa. Afinal, todo mundo cansa.
Pode demorar quanto tempo for ninguém passa a vida sofrendo por um amor que não
deu certo.
A parte mais empolgante
do filme começa. Tom se demite do melancólico trabalho de escritor de cartões,
com um discurso interessante sobre o que aqueles cartões representam: uma
mentira, uma maneira pela qual as pessoas não digam de verdade como se sentem, em
seguida começa a procurar um emprego como arquiteto que é a sua verdadeira
vocação, recomeçando de verdade, ele também para de se prender as coisas boas
do seu relacionamento com Summer e percebe que desde o começo tinha algo errado
com aquela história e que enfim ela não era ‘aquela’ garota.
Sentado no seu lugar
preferido, Tom tem a sua última surpresa vinda de Summer. Num banquinho atrás
do dele, lá estava ela. A conversa entre os dois é bastante emocional, mas
extremamente necessária. Não era mais a Summer idealizada que ele tanto amou
mas sim uma nova Summer. Nessa cena temos uma troca de personalidades muito bem
definida, a Summer de agora acredita nas coisas que o Tom do começo do filme
acreditava enquanto o Tom de agora acredita nas coisas que a Summer acreditava,
mas isso é só momentâneo. Summer então diz que ele tinha razão sobre tudo, ela
finalmente sabe o que estava perdendo. Tom só estava errado sobre ela. E assim,
o último vestígio daquela história começa a desaparecer, Tom começa a superar de verdade.
A maioria dos dias passa
sem deixar nenhuma importância na vida de uma pessoa, o dia era 23 de maio, uma
quarta feira, Tom se encaminhava para uma entrevista de emprego.
Na sala de
espera uma linda mulher estava sentada, bem vestida, também pretendendo o
emprego, arquiteta que visita o mesmo lugar que ele gosta de frequentar. Ela
diz já ter visto ele e impressionado por nunca ter visto aquela garota antes
ele diz quase que decepcionado:
- Eu nunca vi você por
lá.
- Talvez você não
estivesse olhando direito.
Então Tom percebe,
percebe que não se pode atribuir efeitos cósmicos e extraordinários a eventos
comuns e cotidianos, percebe que todo esse tempo de tristezas e decepções
serviu de certa forma para uma aprendizado, para uma reciclagem da sua pessoa, percebe que não existem finais e sim recomeços, percebe que essa coisa de destino não existe, percebe que por mais que antes de encontrar ‘aquela’ que
o faria feliz de verdade ele precisaria se encontrar, se amar, se respeitar.
‘’Coincidências. É o que
sempre é. Nada mais do que coincidências’’.
Tom agora sabia.
Um surto de coragem e ele
chama a garota para sair.
Ela também se mostra
corajosa e pronta para arriscar, depois de pensar muito, ela aceita o convite.
Os dois se apresentam.
E ela se chama Autumn.
Tom olha pra câmera e
esboça um sorriso, sem acreditar que aquilo era sério mesmo.
O dia 500 vira dia 1. E o
sol do verão aparece pela primeira vez na contagem, maior do que nunca!
A maior mensagem do filme
então é essa, depois da chuva, do inverno, da noite escura, do frio, do medo,
da insegurança, das incertezas, da falta de fé, das lágrimas, o sol vem
dobrado! Não importa o quanto esteja doendo agora, seu sofrimento nunca será
permanente e suas chances de fazer com que dê certo da próxima vez são as mesmas
com algo a mais ao seu favor, sua experiência. Agora você está imune á fazer coisas as mesmas coisas estúpidas.
Discordo do narrador do filme em uma coisa, essa é sim uma história de amor, uma história de amor próprio!
Por hoje é só pessoal.






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