'Carta para você:
Você me ganha fácil demais. Me pergunto como ainda não desisti de nós. No começo, quando ainda éramos um casal utópico que existia apenas em minha mente fértil, era compreensível. Eu fazia de você o tipo perfeito - o meu tipo. Mas agora, depois de todo esse tempo e todo esse desgaste, e após o esteriótipo de "tipo perfeito" há muito ter sido destruído como ainda posso enxergar tantas coisas em você que me mantêm dessa forma? Você já percebeu quantas vezes eu repeti a palavra "ainda"? Isso não te faz perceber o quanto eu estou cansada de tudo isso? Não, não faz. E sabe o por quê? Por que você não é bom. Nem pra mim e, talvez, nem pra si próprio. Mas sabe o que é? É que o "bom" nunca me agradou mesmo. Até mesmo o "ruim", por diversas vezes, passa longe de me agradar. Mas você me agrada. E agrada muito. Mesmo fazendo esse tipo tão comum de cafajeste imperfeito - será esse o meu tipo? - você me agrada. E por isso, me ganha fácil. Me tem quando quer. E é por isso também que, mesmo reconhecendo que você me usa, eu sempre volto. E sempre vou voltar. Porque eu tenho esse impulso que me leva sempre pra perto de ti, e mesmo que eu tente lutar contra isso, já sabemos quem vai ganhar essa luta: você. Da mesma maneira que me ganha: fácil, fácil demais.
Com todo exausto amor de um coração surrado, Valentina.'Terminei de escrever, dobrei o papel e atirei-o ao fogo. Enquanto o via queimar, pensava no quanto era uma pena que você não fosse lê-lo. Cheguei também a conclusão de que escrever é uma dádiva, porque só o papel aguenta o que nem o coração aguenta mais. Quando vi que restava apenas pó, levantei e fui até meu quarto dormir um pouco. "Nada que um bom sono não possa curar", pensei.
Ass: Sâmara Carvalho

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