Então, não é um texto, é uma resenha negativa sobre o livro cinquenta tons de cinza. Não sei se leitores podem mandar resenhas, mas aí vai:
Resenha do livro ‘’Cinquenta tons de cinza’’
Autora: E.L James
Editora: Intrínseca
Cinquenta tons de decepção:
Fenômeno de vendas, ‘’Cinquenta Tons de Cinza’’ não faz jus ao seu sucesso.
O mais novo fenômeno da literatura, ''Cinquenta tons de Cinza, originalmente intitulado ''Fifty Shades of Grey'', tem causado alvoroço entre a mídia e os leitores. Em suas primeiras semanas de lançamento, apenas no Brasil, o primeiro livro da trilogia de E.L James alcançou a incrível marca de 200 mil cópias vendidas e continua sendo um sucesso de vendas, uma vez que a estratégia de marketing funciona bem e atrai leitores curiosos.
Mal escrito e previsível, o livro traz a estória de Anastasia Steele, uma inocente estudante de literatura de 21 anos que divide o apartamento com Kate Kanavagh, sua colega de faculdade. Quando Kate sente-se indisposta no dia em que precisa realizar uma importante entrevista para o jornal da faculdade, Ana aceita ir até a Grey Enterprises em seu lugar onde conhece e interroga o milionário e maníaco por controle Christian Grey, CEO da Grey Enterprises Holding, Inc.
Após conceder a embaraçosa entrevista, Grey passa a demonstrar um inexplicável interesse por Ana, presenteando-a com mimos como primeiras edições de clássicos literários caríssimos, computadores supermodernos, blackberrys e até um carro; não apenas um carro, um Audi. Obviamente, Ana retribui a todo interesse – que de tão repentino, não convence - e se apaixona pelo milionário que, depois de algum tempo, revela à jovem inocente e virgem Anastásia quais são as suas verdadeiras intenções, introduzindo a garota ao submundo do BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação,Submissão, Sadismo e Masoquismo),e oferecendo-lhe ainda uma insólita proposta onde Anastásia passaria a ser sua submissa sexual.
Recheado com clichês e diálogos mal construídos, o livro peca principalmente pelo uso da linguagem excessivamente prolixa, que o torna um tanto maçante. A escritora se preocupa em descrever com exatidão e com um extenso acervo de palavras elementos triviais, como a cor do tapete de uma sala, a refeição de Grey ou como ele é lindo – Aliás, a palavra ‘’lindo’’ talvez seja a mais mencionada. Além disso, a péssima construção dos personagens chega a ser vergonhosa assim como a falta de complexidade nos ‘‘mistérios do passado’’ que envolvem o senhor Grey – mistérios estes que podem ser facilmente deduzidos na metade do livro.
Durante a leitura, é possível observar a personalidade confusa, hesitante e submissa da personagem principal, que ao longo da estória é atormentada pelos seus anseios e medos, representados por dois extremos que ela os intitula ‘’ Deusa Interior’’ e ‘’Consciência’’. Entretanto, as longas deliberações que esses extremos lhe garantem continuam acontecendo durante todo o livro, mas não levam Anastásia a tomar decisão alguma, fazendo com que este seja apenas mais um dos muitos fatores frustrantes encontrados na obra de James.
Em relação à Cristian Grey, nota-se que a autora criou a personificação do homem perfeito, ou quase isso, uma vez que ele tem como hobbie uma prática um tanto violenta e possui uma personalidade extremamente possessiva e controladora, chegando a supervisionar até mesmo as refeições de Anna, assim como suas vestes e seu comportamento.
O intrigante sobre os fatos supracitados é que em pleno século XXI, onde a sociedade tem tentando assiduamente desvencilhar-se de um passado tão machista, um livro como ‘’Cinquenta Tons de Cinza’’ (repleto de inclinações machistas) esteja causando tantas impressões positivas entre as mulheres.
O motivo mais plausível, acredito, deve-se – além de ao marketing pesado – à curiosidade dos leitores, instigada pelo tema relativamente polêmico que é o BDSM, entretanto, o tema é pouco explorado aqui, sendo abordado em apenas algumas cenas e de forma superficial, tornando a exótica pratica BDSM em BDSM com leite e açúcar. Ainda assim, as cenas de sexo são eficientes, escritas de forma detalhada e convincente que devem satisfazer ao leitor, mas sozinhas não conseguem salvar o livro do fracasso.
Cinquenta tons de cinza não possui um desfecho, apenas um fim da primeira parte, que, devo adiantar: é constrangedor. Há uma deixa para a sua continuação ‘’Cinquenta tons mais escuros’’, mas, uma vez que ‘’Cinquenta tons de cinza’’ é totalmente dispensável, eu presumo que os dois livros que o sucedem também sejam.
Ass: Kleane Souza.
(Texto enviado através da sessão "envie seu texto", disponibilizado em nosso blog.)
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