Saímos da festa depois de algumas horas, nossos corpos se atraiam de uma
forma excruciante, tínhamos que ficar juntos, tínhamos que compensar as
horas perdidas na festa. Entramos no carro e não esperamos nem se quer
um minuto. Ela pulou em cima de mim e nos beijamos como se o mundo fosse
acabar, passamos mais de uma hora ali, colados, sem se desgrudar nem
para falar, não precisávamos nos comunicar, nos entendíamos apenas com o
contato corporal. Então Ela olhou em meus olhos e sorriu, aquele
sorriso pelo qual me apaixonei loucamente na primeira vez que vi, no
qual eu nunca mais quis tirar os olhos, eu a amava, e como a amava.
- Está na hora de irmos, não é? – perguntei relutante.
- Você sabe que eu não queria, mas ainda somos de menor. – Ela riu e eu
também, apenas por conta do som que aquele sorriso exercia em mim.
Ela foi para o banco do carona e segurou minha mão, liguei o carro e
partimos. Passamos a maior parte na noite numa festa de despedida, nosso
“cupido” iria se mudar, amávamos ele, era como um irmão. Decidimos não
beber durante a festa, mas fomos obrigados a tomar alguns goles, e não
mentirei, eu gostei, aquele sabor amargo, que conseguia ser doce ao
mesmo tempo, da cerveja me alucinava. Entrei na rodovia que nos faria
chegar em casa em maios ou menos meia hora, um tanto rápido demais,
queria mais tempo com Ela.
Dirigi lentamente até que Ela me pediu
para acelerar, queria sentir o vento forte em seu rosto, cheguei a 100
por hora e ela gritava de adrenalina, sua gargalhada me dava vida, me
sobrecarregava de vida, até que uma luz forte bateu no vidro, fiquei
cego por alguns instantes, olhei para o lado e a visão voltou, Ela
estava assustada, então meus ouvidos captaram aquele grito, o grito que
precedia o silêncio.
- Victor de Goes.
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