“Tão cálido e doloroso quanto um desejo inalcançável retumbando no peito, o adeus traz consigo a cruel saudade iminente. Não trata-se de um ‘volto logo’, ou de um ‘até depois’, neste caso, trata-se de um ponto final indesejado e irrevogável; Um fim absoluto, e a percepção latente de que verdadeiramente acabou, mesmo quando cada célula do meu corpo repudia veementemente a verdade lacerante e surreal, e num ato pueril decida - ainda que momentaneamente - mergulhar em uma verdade alternativa e ilusória, onde o adeus não é nescessário e a felicidade tão sonhada continua intocável e reluzente, como uma manhã ensolarada e promissora.
Coração doentio, este que me pertence. Não só aceita viver de ilusões como concorda com a ideia de esquecer o motivo que faz do adeus algo tão necessário. Esquece-se que o amor que o alimentava fora construído em bases tão ilusórias quanto aquela realidade alternativa que teima em continuar assolando-o.
Coração doentio, que se recusa a enxergar no adeus as primeiras folhas em branco postas para ser escrita uma nova história.
Despedir-se de você. Ontem, uma piada infame e improvável. Hoje, minha sina. ”
Ass: Wallesca de Medeiros
(Texto enviado através da sessão "envie seu texto", disponibilizado em nosso blog.)
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