sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Desmanchando um namoro
Lá estava eu, pela décima quinta vez (ou talvez décima sexta) ensaiando em frente ao espelho. "Não dá mais. Você é um cara legal, mas estou confusa. Você merece coisa melhor. Não é você... sou eu!". Fala sério, nenhuma dessas frases conforta a pessoa que irá ouvi-las. Não, definitivamente não conforta. Mas... como fazer para trazer a tona uma verdade terrível que precisa ser dita? Quais as palavras certas? Quais seriam as melhores justificativas? Se é que existem justificativas. Tudo é vão nesse momento. Não importa o quanto falemos, será sempre como ferir e fazer com que a ferida sangre mais. Não importa quantas "mentiras" ou ladainhas clichês como aquelas sejam ditas, a verdade um dia vem a tona. Ou melhor: o término um dia vem a tona. E naquele momento eu estava pensando em tantas coisas. Me olhei no espelho e decidi, enfim. Iria ser sincera. Amor acaba? Não, não acaba. Mas gostar acaba. Paixão acaba. Paixão. Essa com certeza é a definição para romances efêmeros e passageiros. Nunca entendi porque a palavra "Amor" se tornou tão popular na boca dos apaixonados e até na dos não-apaixonados. O amor vai muito além do andar de mãos dadas. Muito além desses romances de novela. O amor é um casal de velhinhos numa cadeira de balanço: tem seus altos e baixos, mas continua sempre ali. Até o fim. Eu era muito jovem para amar. Não obstante, sabia que pessoas da minha idade podiam sim amar, mas eu? Não, ainda não. Éramos muito jovens para amar. Eu diria que no início estava muito apaixonada, mas naquele momento... havia passado. Não dava mais, sabe? E eu sei que isso é muito normal. Casais se juntam e se desmancham todos os dias, a todo instante. Meu único peso na consciência foi ter usado aquelas três palavrinhas. Foi ter dito "Eu amo você, eu te amo". Você deve achar idiotice minha, mas se soubesse o que significa realmente o amor, deixaria de dizer "Eu te amo" pra muita gente. Até mesmo pra a sua namorada, ou namorado. Vai saber. O fato é que a maioria das pessoas de hoje não sabe o que é o amor. Usam-a como se fosse apenas mais uma palavra bonitinha sem medir sua essência e suas milhares de teorias. E naquele momento eu me encaixava naquela maioria. Mas estava arrependida. Amor é o que a minha mãe sente toda vez que me vê e, apesar de tudo, ou por tudo, sorri pra mim. Amor talvez seja o que meu cachorrinho sente por mim quando abana o rabinho. Amor é o que aquele casal de velhinhos na cadeira de balanço, mesmo após tantas rugas e tantos anos, sentem com a mesma intensidade no momento em que se olham. Amor é uma coisa tão mais forte e poderosa do que crê nossa vã filosofia... finalmente eu sabia. E precisava consertar o meu erro. O meu engano. Ou o meu equívoco, quem sabe. E se eu não o fizesse, pagaria por toda a minha vida. E ele também pagaria. Imagine só se passássemos a vida juntos e, por causa disso, morreríamos sem conhecer o verdadeiro amor? Eu sei que o amor se constrói com o tempo, e que aquele que ama tenta. Mas eu não queria mais tentar. Querer. Acho que o amor deve ser isso. Mais que um sentimento, com o tempo o amor se torna uma decisão. "Eu decido lutar, eu decido te amar". É lindo, mas eu não sentia nada disso. Era mesmo o fim. Mas eu sabia e sei que todo fim é um início de alguma coisa. Alguma coisa mais madura e mais bonita. Queria isso pra mim. E pra ele também. Eu não o amava, era apenas apaixonada, e essa paixão foi embora como que numa toada. Não era o fim do mundo. Pelo contrário, era só o começo dele. Éramos jovens, pensei. Somos jovens. Me olhei no espelho mais uma vez. Penteei o cabelo, pus o meu vestido, calcei meus velhos sapatos e fui ao encontro dele naquela pacata sorveteria que era o nosso point no dia-a-dia. Ele estava lá, seu sorriso hora chorava, hora sorria. Ele já sabia. Eu já sabia. Ambos sabíamos que bem... isso iria acontecer um dia. Afinal, paixão não é amor, diferente do que pintam por aí na televisão ou até mesmo numa canção. Amor. Eu sabia que um dia o encontraria. Mas hoje eu sei o que eu não sabia: eu sempre o tive. Eu já o tinha. O meu Deus. O meu pai. A minha mãezinha. É, eu já tinha! E aquele outro? O tão conhecido dos livros? Eu sei que Deus e o tempo, literalmente o tempo, traria. Trará. O amor. E principalmente... o amar!
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