terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Surpreenda-me




– Não me ligue! – Desliguei o celular, antes que ele desligasse.

Coloquei o aparelho na minha frente e esperei. Pensei se ele seria tão idiota a ponto de ter acreditado no que eu disse. Talvez. Cheguei a quase ficar preocupada, mas resolvi ficar na internet em vez disso. Péssima ideia, ele estava em tudo, menos onde deveria estar. A noite de azul marinho passou para cinza escuro, mas a Lua continuava lá. Pedi, implorei para que cuidasse dele, para que o protegesse, seja lá onde ele estivesse. Fechei o notebook e fui ouvir música. Uma ideia pior do que a outra. Fui ver televisão. Meu relógio havia quebrado, ou então, o tempo não queria conversa comigo naquela noite. E a cada 5 minutos, uma olhadinha básica no celular, como quem não quer nada, querendo tudo e não vê nada. “Ele vai ligar, ele vai me surpreender”, repeti isso para mim mesma umas 7 vezes e deixei pra lá. Olá tédio, seja bem-vinda angústia, a insegurança vem? Prontos para a festa? Ao menos uma ligação. Desliguei o celular. Não quero mais saber dele. Liguei o celular. Eu preciso saber dele. A televisão ainda estava ligada, e me concentrei nela.

Meu celular começa a tocar, quatro horas depois.

– Cheguei – E uma lágrima finalmente escorre.

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