Era uma manhã de segunda. Um dia comum para ele. Como sempre, ele se levanta cedo, se arruma para a escola e arruma os seus cabelos do jeito que ela adora. Com aquela franja meio que pro lado, meio desgrenhada, que transformava ele no cara mais charmoso do mundo. Como se ele precisasse disso. Ele toma o seu café e segue para escola. Enquanto isso, ela também se preparava para mais um dia de rotina. Se levantou, arrumou seu longo cabelo, tentou dar uma melhorada na sua aparência, mas nada ajudaria muito, já que ela passou quase a noite inteira em claro. Sonhando acordada, como sempre. Não quis comer nada e assim, foi para escola. Mal sabia ela que a carta que ela tinha colocado dentro do caderno dele, com assinatura anônima, há aproximadamente 3 meses atrás, finalmente, seria lida hoje.
Ele chegou no colégio e jogou seu caderno na banca. Mas por vontade do destino, o caderno caiu. Ao apanhá-lo, ele percebeu que de dentro de seu caderno, tinha caído um papel dobrado ao meio e tratou logo de pega-lo, afinal, não podia perder as suas fichas de estudo. Quando abriu para ver de que matéria se tratava, percebeu que não era de nenhuma matéria que pudesse ser ensinada na escola. E passou a observar aquele pequeno pedaço de papel, agora precioso, com maior atenção, até que um amigo o interrompe:
- Cara, o que é isso que você ta lendo? Deixa isso pra lá e vem cá conversar que os meninos estão contando da última festa...
Mas ele continuou imóvel, com os olhos fixados profundamente no papel, tentando entender o significado por trás daquilo e principalmente, tentando achar uma resposta pra a sua maior dúvida: quem teria mandado aquilo?
Seu amigo, vendo que ele estava congelado com aquele papel na mão, logo julgou importante e foi perguntar a ele do que aquilo se tratava. Qual a surpresa quando a resposta dele foi:
- Não sei não cara, acho que é uma carta de amor...
- UMA CARTA DE AMOR? MAS QUEM TE MANDOU ISSO? E QUEM ESCREVE CARTAS EM PLENO SÉCULO 21, QUANDO SE PODE MANDAR UMA SIMPLES MENSAGEM DE TEXTO COM ISSO ESCRITO? Ih cara, deve ser mais uma daquelas menininhas de sétima série que são apaixonadas por você e vivem te mandando cartinhas.
O amigo roubou o papel das suas mãos e leu. Nesse papel, estava escrito assim:
Querido amor,
Infelizmente, sei que talvez não seja o nosso destino ficarmos juntos. Mas quero que saibas, independente disso, que tu és o amor da minha vida. Desejo a você toda a felicidade desse mundo e toda a proteção dos anjos, pois não acho que exista pessoa no mundo que mereça isso mais do que você. E que você ache uma moça boazinha, que possa cuidar de você sempre, mesmo quando você ta super irritado e só sabe dar patadas naqueles que estão próximos a ti. E torço pra que ela ria sempre de suas piadas sem graça e que saiba compreender que a tua implicância, é só pra demonstrar o quanto você se importa com ela. Que ela entenda que pra poder permanecer ao teu lado, ela tenha que entender o teu orgulho e engolir o dela. Pois não posso negar, você é quase a pessoa mais orgulhosa que eu conheço.
Que ela te dê apoio sempre e que não deixe te faltar amor. Que ela pegue a tua mão quando você estiver todo nervosinho e preocupado e te leve para ver o mar. E que fique ali, sentada do teu lado, só escutando o teu silêncio. E que ela não se incomode com ele. Porém, apesar de estar dizendo tudo isso, eu também digo que eu sempre terei inveja dela. Por ela ter o coração mais bondoso que eu conheço na palma de suas mãos e que pode magoá-lo com uma facilidade imensa. E também, no fundo, no fundo, torço pra que você nunca encontre alguma moça que te trate assim, além de mim. Sei que pareço uma covarde por estar te escrevendo uma carta e estar deixando ela em anônimo. Mas eu não podia mais conviver com tanto sentimento trancado a 7 chaves dentro de meu peito. Espero que seja feliz.
Com o maior amor do mundo,
Uma eterna enamorada.
Quando terminou de ler aquele papel repleto de sentimentos, o amigo foi logo dizendo:
-Cara, se você sabe quem foi que te escreveu isso, se tem alguma idéia de quem foi, eu sugiro que não deixe essa menina ir embora. Seria como desperdiçar ouro puro.
Ele passou a aula inteira, remoendo aquilo. Sonhando que aquela carta tinha sido escrita pelo seu amor, pela menina dos seus sonhos. Ouviu dizer que quando se deseja muito algo, isso acaba se tornando realidade. Então, ele desejou isso com toda a força do mundo, com o seu corpo e a sua alma. E finalmente, o sinal bateu. Ele fora liberado pra o intervalo. Assim que saiu de sala, pegou seu celular e discou o primeiro número. O numero da garota dos seus sonhos, que nem ao menos imaginava o quanto ela significava pra ele. Rezou para ela atender logo, queria comentar aquilo com ela. Pois, independente de ela significar tanto, ele contava tudo para ela. Contava de todas as meninas, todas as festas. Tudo. Mal imaginava ele o quanto ela sofria ao ouvir ele falar de outras garotas e fingir que estava feliz por ele, dar o maior apoio do mundo à ele com aquelas garotas. Quando tudo o que ela mais queria, era ter a chance de estar no lugar de uma delas.
Do outro lado da linha, o sinal acabara de bater para o intervalo dela. Quando ela ouviu o toque que era dele no seu celular, atendeu o mais rápido possível.
- Alô?
- Baby, você não sabe o que acabou de me acontecer...
- Ai meu Deus, o que foi? Você ta bem né?
- Tô sim. Eu recebi uma carta de amor.
O coração dela gelou naquele instante. Será que ele finalmente teria lido a carta que ela tinha escondido no caderno dele, no dia em que ele fora visitar ela em casa depois da aula? Ela tinha que aparentar normalidade, não podia se entregar agora.
- Uma carta de amor? E de quem era?
- Não sei. A carta veio em anônimo.
- Mas você nem desconfia de quem é?
- Não. Não faço a mínima idéia...
Ele não podia se entregar, ele não podia dizer a ela que desejava profundamente que aquela carta tivesse sido escrita por ela. Que aqueles sentimentos tivessem sido postos num papel por ela.
- Que pena, queria saber quem era.
- Eu também. Quem sabe um dia eu consiga descobrir né?
Ela riu. Para ele o som mais maravilhoso desse mundo inteiro. A risada dela.
Então ele falou que tinha que desligar, que o sinal já ia bater e que ele ainda não tinha comido nada. Mandou um beijo enorme pra ela e disse que a amava. Ela mandou outro e disse um eu te amo pra ele também, mas esse era bem baixinho, só pra ele ouvir. Ele que era o mundo dela.
Quando o telefone foi desligado, ela gelou. Ele tinha gostado da carta. Mas ela estava decidida, não ia dizer a ele que a carta fora escrita por ela. Preferia tê-lo como um amigo, do que como um nada. E os dias seguiram naquela velha rotina. Ambos sem terem a coragem de dizer ao outro, o que verdadeiramente sentiam. E o destino segue. Mas talvez, o destino um dia conspire ao favor dos dois. É o que eles desejam todas as vezes em que olham para as estrelas e fazem os seus pedidos.
MEU DEUS MARIANA, sabe o que é uma pessoa chorar com um texto?! EU! Que lindo, que lindo, que lindoooooooo!
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