Era escuro, muito escuro. Algo doía, dentro do meu peito, por
vezes doía forte demais, outras muito fraco, chegava a me consolar. Mas nunca
clareava, tudo era escuro. Começou depois do acidente, eu me lembro da luz
forte dos faróis do caminhão, me lembro do som forte da buzina, me lembro do
grito Dela. Essa memória eu queria esquecer. Ela ficava no meu pensamento o
maior tempo possível, me fazia lembrar de tudo, pra depois vir com aquele
grito, que precedia o silêncio. Não sei se chorei, mas me sentia fazendo isso.
Era tudo tão escuro, tão negro, não existia nada, só gritos, os gritos Dela, a
buzina, o farol, a luz, então silêncio. Minha mente parou, parece que parou,
acho que parou, não sinto nada, mas agora posso escutar, posso escutar um choro
e um barulho agudo e intenso, então posso me ver, numa cama de hospital com
centenas de fios ligados ao meu corpo, vejo minha mãe chorando, sem se mexer,
vejo a lagrima que caia pela minha bochecha, mas não vejo Ela, não vejo Ela em
canto algum.
Continuará proximo domingo.
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