Eu tinha aquela velha mania humana de procurar sempre algo
pra me preencher, até que descobri que eu já era cheia. Mais que isso – eu já
transbordava. E no momento em que percebi isso, fui tomada por um lapso de
felicidade tão grande e tão puro e tão cheio de mim, que mesmo que fosse uma
felicidade repentina, mesmo que depois de cinco segundos eu mudasse totalmente
de ideia e voltasse a me sentir vazia, aqueles segundos teriam valido a minha
vida, porque ali eu tinha sido suficiente. Eu bastava a mim mesma. Dirão as más
línguas que é egocentrismo. Eu chamo de amor próprio. Mas ser egocêntrico, como
dizem, às vezes é uma necessidade maior do que se pode imaginar. Gente que não
reconhece o seu valor, nunca terá plenitude. Mas voltemos ao amor próprio. Ele,
que além de ser a forma mais pura e excêntrica do amor, é a base dele. Quem não
ama a si mesmo, jamais amará alguém. Eu sei que é clichê, que é coisa de se ler
em páginas rasuradas de livros de autoajuda, mas é um clichê válido. Porque
quem não ama a si, não se conhece por inteiro, e quem não se conhece bem, é
incapaz de (re)conhecer ao outro. Parece lógico, como se fosse uma matéria
exata, não? Mas não se engane, não é como matemática. É vida. E isso torna as
coisas um pouco mais complicadas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário