quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Auto (in)suficiência





Eu tinha aquela velha mania humana de procurar sempre algo pra me preencher, até que descobri que eu já era cheia. Mais que isso – eu já transbordava. E no momento em que percebi isso, fui tomada por um lapso de felicidade tão grande e tão puro e tão cheio de mim, que mesmo que fosse uma felicidade repentina, mesmo que depois de cinco segundos eu mudasse totalmente de ideia e voltasse a me sentir vazia, aqueles segundos teriam valido a minha vida, porque ali eu tinha sido suficiente. Eu bastava a mim mesma. Dirão as más línguas que é egocentrismo. Eu chamo de amor próprio. Mas ser egocêntrico, como dizem, às vezes é uma necessidade maior do que se pode imaginar. Gente que não reconhece o seu valor, nunca terá plenitude. Mas voltemos ao amor próprio. Ele, que além de ser a forma mais pura e excêntrica do amor, é a base dele. Quem não ama a si mesmo, jamais amará alguém. Eu sei que é clichê, que é coisa de se ler em páginas rasuradas de livros de autoajuda, mas é um clichê válido. Porque quem não ama a si, não se conhece por inteiro, e quem não se conhece bem, é incapaz de (re)conhecer ao outro. Parece lógico, como se fosse uma matéria exata, não? Mas não se engane, não é como matemática. É vida. E isso torna as coisas um pouco mais complicadas.

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