Ela ficou calada a aula inteira. Na verdade, já entrou na
escola assim. Muda. Fone de ouvido no
máximo, pois particularmente naquele dia, o mundo a estava incomodando. Não conseguia se concentrar, nem ao menos na
sua aula favorita, Literatura. Porque
que as pessoas tem que ser tão complicadas? E porque sem querer, ela se magoava
tão fácil com coisas tão banais? Ela não podia se entregar. O mundo não podia
vê-la daquele jeito. Naquele estado tão confuso, de um jeito que nem a pessoa
que mais a conhece no mundo poderia reconhecê-la. Ela já tinha passado por
situações piores, então aquilo não deveria estar fazendo nem cosquinha nela.
Mas porque diabos ela estava se incomodando tanto com isso? Droga. Maldita
pergunta que ficou no ar. MALDITO PONTO DE INTERROGAÇÃO EM SUA CABEÇA! E ela
sabia que nem tão cedo poderia fazer aquela pergunta. E se fizesse na hora
errada, aquela pergunta ficaria sem resposta para sempre. Ela não podia
simplesmente arriscar tudo por um simples capricho. De repente a sua melhor
amiga a chama. Pergunta a ela porque que ela passou tanto tempo calada de
repente. Ela respondeu que não era nada, que apenas tinha viajado um pouco por
conta da música, colocou um sorriso no rosto e voltou a atuar. Ela era uma
atriz nata. Ninguém pode ver através daqueles olhos castanhos de cílios imensos
que ela está triste, que está com uma vontade imensa de sentar em um canto
qualquer e chorar. Só chorar. Porque ela era fraca e todas aquelas perguntas
estavam fortes demais para o frágil coração dela agüentar não saber as
respostas.
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