sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Bom dia!
Hoje eu acordei mais cedo e fiquei observando uma parte daquilo que é conhecido por "mundo". Abri as janelas que dão para a varanda, na esperança de que entrasse um ar límpido e puro digno de um apartamento à beira mar como o meu. Ao invés disso, um ar quente e abafado. "Brisa do verão", alguns diriam. Discordei. Ora, se eu morava em frente ao mar, aonde a lógica "brisa do verão" se encaixa? Talvez um cheiro de maresia ou uma ventania fria e tranquilizante para acalmar meu interior. E agora, meu exterior. Nada daquilo se encaixava. Parei um pouco e pensei... "É, talvez se encaixe sim". Aquecimento global, as mudanças climáticas, aquela cratera na camada de ozônio... é, olhando assim, tudo se encaixava. Mas quem se importava?, pensei. Abaixei a cabeça automaticamente, desapontada com a resposta daquela retórica. Fui até a cozinha passar meu costumeiro cafézinho matinal. Depois disso, me arrumei e fui trabalhar. Chegando no Hospital, tudo ali parecia bem normal. Mas não pra mim. Não mais. Eu não entendia bem o porquê, mas aquela brisa quente pela manhã me fez ficar diferente. Me fez pensar diferente. Todos os dias a brisa era a mesma. Fria, leve. E naquele dia havia sido diferente. Quente, pesada. Será que era ilusão ou alienação da minha mente? Será que aquela brisa sempre fora quente? Não sabia. E não podia pensar em brisas naquele momento; não no meu trabalho. Mas eu continuava um tanto diferente.
Caminhei pelo corredor até chegar no Estar Médico. Já ia abrindo a porta, mas estava trancada. Bati. Ouvi uns passos apressados vindos de dentro, uns sussurros, e finalmente a porta se abriu. Era o Dr. Pedro Saldanha com a Dra. Bruna Paes. Eles tinham um caso, eu sabia. Sabia e acobertava da esposa do Saldanha, a Juliana Saldanha. Ela era uma boa mulher. Muito rica graças ao marido, porém simples e amorosa. Eles tinham duas filhas, Alice e Anne. Duas meninas lindas. Juliana era perdidamente apaixonada por Pedro. Era uma família linda. Nunca fui muito íntima de Juliana, mas ela era um amor de pessoa. De verdade. E Bruna era uma grande amiga minha, diga-se de passagem. Tanto ela quanto o Pedro. E mesmo que a Juliana fosse um doce, eu ia ficar do lado da Bruna. Eu até a apoiava e a incentivava antes. Antes. Naquele dia estava tudo diferente. Tudo mais claro. Era justo alguém tão bom e puro como Juliana ser enganado da maneira como ela estava sendo? Eu estava certa apoiando aquilo? O que era importante ali? O que é importante hoje?, pensei. O que era importante para o Dr. Pedro? Dar uns pegas na Dra. Bruna enquanto sua esposa o espera em casa com suas duas filhas? O que é importante?, pergunto-me mais uma vez. Todos daquele hospital sabiam daquele "romance". Todos conheciam Juliana Saldanha. Por quê ninguém abria os olhos dela? Ou então os do Dr. Pedro? O mais importante era a família ou uma aventurinha? Era triste ver o que ele preferia. O que eles preferiam. Era tudo tão sujo. Aonde estavam os valores? O que aquelas pessoas estavam pensando? Não tinham família? Faziam a mesma coisa? Achavam normal? Eram tantas indagações e tantas decepções girando ao mesmo tempo em minha mente agora tão confusa. Trair era normal. Mesmo se no meio houvesse uma família linda prestes a ser destruída. Aquele pensamento me assustava. A que ponto nós, seres humanos, chegamos? Ou será que sempre fomos assim? Daí voltei a pensar em valores. Valores... valores. Na época da minha avó já existia traição. Na da bisa eram os casamentos arranjados. Era tanta coisa. É tanta coisa. E hoje, no meio de tantos mil problemas, existe a traição. E existe o bem, mas o mal..O mundo.Crianças chorando. Sozinhas. Morte. Sujeira. Dor. O mundo como ele é, sem enfeites. E claro... com as mudanças climáticas. O aquecimento global.A poluição.Mais problemas a vista, seres humamos. Todos esses problemas que observei ao longo do meu dia não eram apenas questão de fatalidade ou tempo. Nunca foram. Eram questão do interior. Do meu, do seu valor. Era a vida, meu amigo. A vida nos chamando para acordar. São dois lados de uma moeda. Cara ou coroa? Cabe a cada um de nós optar. O que é certo nessa vida? E o que é errado? Será que estão todos dormindo como eu estava? Estão cegos? Surdos? Mudos?
Abri os olhos. Eu não estava mais cega. Eu sabia que uma andorinha só não faria verão, mas eu ia fazer minha parte. Ia seguir meu coração. Mudar meu coração. Afinal, é lá dentro, no interior de cada um, que a real mudança começa. E ela havia começado. Porque o mundo é mesmo isso, repetia baixinho. A mudança vem de dentro. E de dentro, aos poucos, alcançamos todo o centro. Mas antes de mais nada... Bom dia. Acordemos.
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